com a luz que abrasa o dia
em tudo eu vejo a poesia!
no breu da noite [mudo]
eu ouço a poesia em tudo.
se estes meus versos,
por mim, falassem
o que não cabe numa ideia
ah, quem me dera!...
mas não é a dor pungente
nem é o amor urgente
que se me derramam
na poesia dessa hora...
mas qualquer outra natureza
em que pairam incertezas.
e é lá que está a cor implícita
de mi’as ânsias infinitas!
são sombras inclassificáveis;
palavras insubordináveis
que me tomam o tom certo
por esse pálido deserto...