segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Poemanifesto




Na atual conjectura
Dessas novas ditaduras
É possível fazer prosa,
Qualquer nota, uma glosa?
Ou terá de ser poesia
De anônima autoria?

Será força do destino
Ou deboche do divino?
Que há nomes atualmente
De uns quantos presidentes
Que fazem por si denúncias
Em suas próprias pronúncias

Michel Temer... Donald Trump...
São piores do que funk!
Não tenha medo, não tema:
Faça arte, faça poema!
Se houver trunfo nesse jogo
Tem naipe de demagogo

“Fora, Trump! Fora, Temer!”
Pois quem tem boca não teme
Se a palavra nos liberta
A esperança já é certa:
Liberdade é pra quem tem
Acredite – yes, we can!

sábado, 1 de julho de 2017

inacessível



estendo na madrugada
os meus pesadelos
como lençóis de Orfeu
para construir pórticos
— horizontes [in]visíveis —
onde os buracos negros
da minha alma
não cabem no mirar...

esse mundo paralelo
que eu engendro
é compensação à ignorância
inveterada de mim mesma
sob uma irredutível realidade
cujas distorções, inevitáveis,
me impelem ânsia e medo...

no escuro, não há espelhos.
com as lentes do criar
feito sondas
captando imagens
dos desconhecidos
territórios do meu corpo
mantenho fechados os olhos:
escrever é sonhar

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Excertos - [des]aforismos



I
do ínfimo ao infinito
eis a minha conjectura
: o mundo é sempre mais bonito
visto a certa altura

II
asa de imaginação que bate à toa
desconhece o céu: não voa

III
diz-se que a vida é matemática
assim, tal coisa prática
digo que é [meta]linguística
vida humana [inexata], tal coisa mística

IV
the black hole
is not black whole
either a hole


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

nuvens

hoje pintei meus sonhos
em mil desenhos
de nuvens
         só para você ver
e soprei ao céu azul
em direção à tua morada
mas ficaram todas
disformes... estioladas...
         e o dia segue, pois, enevoado
    dentro e fora do peito

: tua janela permanecia fechada