quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Por toda a minha vida...


... este é o único posicionamento que nunca mudou. Desde tempos remotos!

Não tenho o hábito de fazer do blog um diário (embora fale nele de muita coisa que não falaria em um “bate-papo-descolado”), mas esse desabafo, digamos, é um tanto necessário...

Caem queixos toda vez que alguém me pergunta e eu respondo categórica: “Não, eu NÃO quero ter filhos!” O que é seguido de um enfático: “Por quêee???” E aí eu penso: “Por que é que querem saber tanto da nossa vida?!”, mas respondo: “Ora, já tá cheeeio de gente no mundo, pra quê mais, né?!” Mas, é claro, digo só para mudar de assunto. Afinal, maternidade é algo muitíssimo complicado e exigente e placentário e sanguíneo demais e... enfim, belo, de fato, e algo mais sobre o que eu não saberia dizer.

Tenho 22 (vinte e dois!) anos; olho pro lado e vejo minha prima, cuja bunda limpei antes dos banhos; quando ainda chorava com uma trovoada... e, hoje, leva ela no colo um filho de 2 anos e poucos, em plenos 16, 17, i don’t know... Fico me perguntando tanta coisa, que é melhor nem expor aqui – creiam!

Bem, não sei se cabe na ideia do texto, mas já que disse uma vez que alunos são como filhos (aos dedicados professores), vale o relato de há uns poucos meses...

Tive uma primeira experiência (maternal) com uma turminha, no estágio, e poderia afirmar: eram bárbaros! (Nãaao, não é bárbaro de maravilhoso, não! Mas... tipo pseudoselvagem mesmo, sabe?! Então...) Eram uns 15, dentre os quais, 1 zinho – o Luam, dos olhos de amêndoas mais doces que já vi – a quem encarreguei ser meu “monitor”, já que foi o único (de verdade) com quem consegui lidar. Que chegou a me perguntar com uma vozinha ainda mais doce: “Tia... por que você fala tão baixo?!” E eu: “Porque ninguém aqui é surdo, meu bem. E a ‘tia’ não está disposta a acabar com sua garganta...” (Foi quando me lembrei do primeiro diálogo que tive, ao chegar lá, em que Marcus Vinicius – o fuzueiro-mor do colégio! – me perguntou por quanto tempo eu estaria ali, ao que respondi: “Por quanto tempo eu aguentar, nem!”, e ele: “Ah, então vai ser “ingual” às outras tias: vai embora rapidinho!” Daí, pode-se ter uma vaga noção, sim?!).

A questão não é eu não gostar de crianças (porque eu gosto, sim, gosto mesmo, juro! – até os 4 anos de idade – depois, aquelas com mais de 60, 70, 80... também). A questão é que elas têm o dom de me fazer de gato-e-sapato. Aí, eu imagino um filho... e imagino que o mundo ‘tá precisando mais de Mães do que filhos. Porque nós, sendo filhos, andamos meio órfãos de mundo também... (Mas isso aqui não é pra fazer sentido, é?)

Enfim, só para ressaltar àqueles que não me entendem muito bem: não, eu não quero ter filhos (: sou dona do meu corpo) – e, aqui, fala o lado egoísta – preciso mais é que cuidem de mim. E seria muito bom, também, que muitas meninas pensassem 165.465.135.468.79 vezes antes de saírem dando por aí* colocarem mais uma criança neste mundo, que nem sabemos se dura muito, ainda...

Assim, eu me aposso das sábias palavras de Brás Cubas e me execro da (in)sensibilidade camuflada nas ironias: não, não hei de transmitir a nenhuma criatura o legado de nossa/minha miséria. E tenho dito!


*adorei e roubei o recurso do Ivan, pra transmitir os pensamentos ‘censurados’! rs

20 comentários:

Renata disse...

Rafa, vc sabe que tenho 29 e tb não quero ter filhos, eu não sou uma pessoa muito paciente e vou odiar não poder chegar em casa e fazer minhas coisas em paz, sem preocupação...
Acredito MESMO que cada um deva cuidar da própria vida, e as pessoas devem ter em mente que casar e ter filhos não é o único caminho.
As pessoas são diferentes e tem objetivos diferentes, será que é tão difícil pros outros entenderem isso???

Rafaela Figueiredo disse...

Rê, a gente é pisciana e [sempre] se entende bem, né?! rs
é isso aí mesmo! opções foram feitas pra se escolherem ou se descartarem, claro!

mas tá cada vez mais difícil, viu?

beijo

ticoético disse...

Rafa,minha querida poeta,achei legal você tocar neste assunto que já é tão comum por nosso país,teu pensamento neste trecho aqui:'antes de saírem dando por aí' lembrou muitas das falas de minha irmã,mas acho legal isso,essa sua linha de pensamento,e também acho que cada um sabe o que faz,como eu sempre digo: "sua cabeça é seu guia" então,façamos o que nos fizer melhor,enfim,adorei o post,acho que os senhores lá da cabeça do governo,deveriam olhar mais aos jovens,deveriam amar mais aos jovens.
abraço !

ticoético disse...

esqueci de avisar que posso ficar um pouco ausente do blog,o motivo é que ando doente,tenho perdido noites e por isso tô muito debilitado,os textos por agora serão todos de publicação programada,penso também em liberar os comentários,por enquanto não é nada grave,enfim,agradeço desde já por suas visitas.
abraço !

sopro, vento, ventania disse...

Lindaaaaaaaaaaaaaaa! Eu respeito, entendo, me solidarizo com, mas digo a você que muita água sempre rola e muita coisa muda, às vezes, sem ter que, obrigatoriamente, mudar. Mas pode mudar. O fato é eu entendo, porque criar filho é realmente mais phoda do que fazê-lo, pq criar (com consciência) é pra não abandonar e isso implica, às vezes, em 'se' abandonar (por priorização de quem - eles - em detrimento de outro quem - nós). Mas não é por abnegação, mas por necessidade mesmo, tipo: 'caraca, eles não pediram pra nascer, então, se sou eu ou ele, então é ele', entende?
E isso é phoda de difícil e assustador. E por isso eu te entendo e, mais, admiro sua coragem. Até pq o amor pelo outro está dentro da gente e você ama o amor (pessoas raras como você). Sendo assim, o amor é seu e você vai sempre distribuí-lo bem, pq tanto você quanto o seu amor (que está dentro de você) são gigantes.
um beijo, saudades, na correria das férias da cria que não me larga, não me larga, não me larga.
Cynthia

marjoriebier disse...

Eu também não quero ter filhos. E a cara de espanto existe igualmente no sul.

Adoro crianças, contanto que eu possa devolvê-las às 5 da tarde!

beijo

Rafaela Figueiredo disse...

entendo, entendo, flô...
agora 'guenta aí, fia! rsrs

beijo


marj, marj...
sempre excelente colocação, né?!
5h da tarde! adoooro! hahaha
independência é o q há!

:*

sopro, vento, ventania disse...

Meninas (Rafa e Marj), fico, mesmo, é espantada quando vejo as pessoas espantadas com as escolhas alheias, como se fossem suas, ou melhor, como se tivessem o DIREITO de pensar sobre uma vida que não lhes pertence. O mundo gira, o século vira, mas as caras de espanto continuam as mesmas da época em que Machadão escreveu Brás Cubas e se posicionou de forma corajosa sobre algo tão absurdo: as obrigações às quais os homens se impõem por conta das convenções sociais.
Vocês são brilhantes e contam com a minha cara... de admiração por ver o quanto são especiais por se posicionarem.
Beijos e 'olas' pra vocês.
Cynthia

Rafaela Figueiredo disse...

amoooramor!
mas o q compensa são essas pessoas - como vc - q entendem nossa posição.
e são elas as q queremos e mantemos por perto! =)

beijobeijo
(L)

Renata disse...

hahahaha o comentário da Marjorie é o melhor, eu tb adoro crianças tanto é que adoro atendê-las no consultório, brinco, dou pirulitos, doces, presentes mas eu sei que não tenho que deixar de ser EU p/ isso e pq como a Marjorie disse posso devolvê-las às 5 da tarde.
Cada um tem um dom, eu não acho que todas as pessoas deveriam ter filhos, tem gente que tem pq "é o normal na sociedade", como eu tô ligando picas p/ os padrões impostos, faço só o que eu quero.
As pessoas deveriam se preocupar em descobrir o que as deixam felizes.

Wallace disse...

hahahahaha!!!!! ADOREI A RESPOSTA ÀQUELA PERGUNTA DO LUAM!!!!
Sempre pensei se eu conseguiria ou não ser professor, com essa minha eterna calma! Será que sobrevivo a isto? Hihihi!!!!
E tb, a fábrica lá em casa tá fechada.
Cada vêz que leio seus desabafos, aumenta minha admiração por vossa mercê!
Deus te conserve assim!

Ianê Mello disse...

Compreendo bem você e acho que toda mulher tem o direito de optar por ter ou não filhos e que só os tenha se de fato for um desejo seu.
Nosso corpo é nosso.

Com certeza, todas deveriam pensar e refletir muito antes de serem mães.
Talvez assim, quando o fossem, conseguissem ser melhores e mais conscientes de sua responsabilidade pra toda a vida.

Sou mãe de duas e sei que não é fácil...rsrsrs

Parbéns pelo firme posicionamento e argumentação.


Quero lhe convidar para visitar meu blog, pois mudei o layout. Agora está mais clean, mais amplo.

Criei mais dois que para conhecer basta linkar na barra lateral.

Aguardo sua visita.

Beijos.

Emanuelle disse...

Rafa querida, quando as mulheres podem, finalmente, "dar sem delongas", você as reprime com esse ditado masculino?...rs...o problema está nos homens, os quais querem "foder" sem proteção alguma...sem responsabilidade alguma...querem é "foder" sem camisinha, porque é mais gostoso e o filho ficará com ela e a doença ficará com os dois!! A camisinha foi feita para o pênis, mas são as mulheres que tem que implorar o seu uso...contudo, um filho será mais um no mundo, para fazer mais filhos num futuro próximo, mas o HIV e o HPV será para sempre...ou se um dia qualquer desenvolverem uma vacina ou até mesmo a cura...bem, você sabe que filho eu não passo perto nem da idéia...beijosss e parabéns pelo belo texto!!

Rafaela Figueiredo disse...

caríssimas,
estou numa onda emocional/psicológica sem proporção; quase cinematográfica!
agradeço - sempre - o carinho, nos comentários mui bem recebidos.
farei as [literalmente] devidas visitas - ainda hj - qdo me 'recuperar'!

beijo, Rê!
outro, Ianê!
e outro, Nuelinda!
Wall: já falei...

sopro, vento, ventania disse...

vim aqui a procura de ti e vi seu comentário e enviarei email, ando sem tempo pra email, mas irei lá por você.
bjs.
CYnthia

marjoriebier disse...

Boa semana, Rafaaaa!!!

Rafaela Figueiredo disse...

ô pessoas lindas-demais-da-minha-vida!
esse zelo ainda será o mais poderoso antídoto contra as mazelas de td td td... deste mundo.
obrigada.

*vou contar do sonho aqui.

tropeços. disse...

Oi, Rafaela.

Engraçado...na sua idade pensava qse q a mesma coisa que vc. Não entendia como colocavam alguém a mais nesse mundo tão louco em que vivemos. Não, não sou tão mais velha assim, tenho apenas 6 anos a mais do que vc e por coincidencia, também professora (de adolescentes e adultos, q não deixam de ser crianças).
De repente, meio sem querer, descobri q estava grávida ( meu atual momento). Q loucura, pensei eu! caraca! EU preciso de alguém q cuide de mim, como vou cuidar de um bebe? amamentar, escola, educar!!!! AAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH! Minha cabeça qse estourou. Litros de lágrimas foram derramados. e hoje, q o Inacio já tá com qse 6 meses aqui dentro, eu te digo. Lembra qnd nossos pais falavam, ou falam (pq os meus só pararam agora): Vc só vai saber qnd tiver um filho!
é isso. Tem coisas q só uma mãe sabe.

um beijo e volte mais a tropeçar por lá

MEL

Rafaela Figueiredo disse...

hahaha
ah, Mel... sei como é isso!
mas, realmente definitivamente absolutamente, eu não vou ter filho!!!
a não ser q, pela boca, seja castigada e um 'acidente' daqueles aconteça! mas... não creio, não... não creio, não! ^^

beso
siempre! o/

Talita Prates disse...

'fa-lóri:
ri DEMAIS DEMAIS na parte dos pequenos bárbaros-pseudoselvagens! (meu pai perguntou da sala se estava tudo bem... :/... quáaaaaaaaaaaaa)

eu acho que estou em dúvida quanto à maternidade "complicada e exigente e placentária e sanguínea demais..." (quáaaaaaaaaaaaaa [2]).

mas gostei da sugestão da Mar, de devolvê-las depois da 17h! (quáaaaaaaaaaaaaaaa [3])

ô, flor: eu fiz essa "cara" de espanto qdo vc me disse isso? Fiz não, né?! :S

bjo bjo!
amo, amora.