terça-feira, 24 de setembro de 2013

Chiaroscuro

De onde eu fico
Na incerteza do clarão
Não há nada definido;

Sob o sol reluz
Alguma via em desalinho
Por onde eu vou;

A luz é, ora, fraca
E ora deveras forte
- Semáforo delicado de vida;

Qual água e óleo
Razão e Dúvida coexistem
Em minha instabilidade...

6 comentários:

Fabrício César Franco disse...

Rafaela,

Que petardo! Numa ilusória imagem de docilidade, vem um texto lancinante, trazendo à tona - 'punctum saliens' - a incongruência idiossincrásica da poetisa. Magistral, para ser lido e relido várias vezes.

Beijo!

Rafaela Figueiredo disse...

Franco,
vc enriquece minhas palavras com as suas e sua reflexão genuína.
acho q o sentimento pungente emerge na poesia quando lateja assim dentro da gente e sai rasgando qualquer polidez, se isentando de métrica, rima e lírica... como o fora este.
obrigada sempre por sua luz em tempos negros.

um beijo, poeta

Fred Caju disse...

Acho que a língua portuguesa devia confiscar o chiaroscuro para si.

Rafaela Figueiredo disse...

Acho válido, Caju.
Há tanto estrangeirismo barato já no dicionário...

Bjo

Anderson Lopes disse...

O claro e o escuro compondo um poema cheio de significados!

Rafaela Figueiredo disse...

Como a vida, Anderson...

Um bjo