segunda-feira, 22 de abril de 2013

Pormenor



Quando eu velha for,
Os meus versos de dor
Não caberão à realidade
De mi'a curta mocidade

E as muitas páginas vazias
De mi'as remotas alegrias
Serão, no silêncio adormecido,
Sonhos que não foram lidos...

E esse meu estranho jeito
Ensinar-me-á ao peito
Que a saudade, sim, é triste

E que ela hoje não me existe;
Lá, eu sentirei - quieta -
Da que não que havia, mas me fez poeta.


14 comentários:

Fabrício César Franco disse...

Poetisa,

Admiro muito quem ousa o soneto. Difícil, encroado, como se a desafiar a própria língua (quem consegue se adestrar ao ritmo, às rimas, ao fazer sentido dentro desses limites?). Você conseguiu. E eu fico, novamente, encantado com seu talento.

Beijo!

Rafaela Figueiredo disse...

Franco, querido,
tb acho o soneto um risco, então me arrisco...
Qualquer elogio vindo de ti me deixa mais do q grata; fico honrada.

um beijo grande

Lu Rosário disse...

Eu também tenho essa admiração por quem desafia escrever um soneto. Admiro essas formas exatas que o texto poético oferece e que remonta às "escolas literárias" que muitos hoje desconhecem.. eu não sei fazer isso, juro! Eu só sei escrever de qualquer jeito..sou modernista demais..rsrs.

E você o faz de forma singular, entrelaçando um antes e um depois que se pode haver. Só adoro demais o que escreves!

Beijão!

Rafaela Figueiredo disse...

Lu,
tb sou mto adepta e mais ambientada aos versos livres! :)
Fico msm mto feliz pelos olhares q recebo aqui: estimulantes.

Um bjo grato

Fred Caju disse...

Se a juventude é curta, curta.

Jéssica do Vale disse...

A vida sempre será poética.
Até mesmo sua morte, será.

Rafaela Figueiredo disse...

Vero, Caju!
Como digo: a vida é finda; não linda!

Bjo

.

Mas a poesia é eterna. Ainda bem.

Bjo, Jéssica

Mateus Medina disse...

Bonito!

Saudade e poeta andam sempre juntos. E quando não, o poeta a inventa.

bjos

Rafaela Figueiredo disse...

sim, Mateus:
'saudade: sal e dor, q o vento traz'...
e a gente segue cantando.

abraço grato



Anderson Lopes disse...

Verás que foi uma grande poeta
Quando a velhice chegar
e encher o teu peito de saudade...

Rafaela Figueiredo disse...

Gentileza este 'grande'.

Abraço!

Will Carvalho disse...

Esse é um traço do poeta, que é gente que sente tão fortemente.
Lembrei-me de um dos primeiros do mestre Bandeira que ouvi, e me atingiu tão fortemente que fiquei ruminando por um tempo (acho que até hoje)

Eu faço versos como quem chora
De desalento, de desencanto
Fecha o meu livro se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto

Meu verso é sangue, volúpia ardente
Tristeza esparsa, remorso vão
Dói-me nas veias, amargo e quente
Cai, gota a gota do coração

E nesses versos de angustia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca
Eu faço versos como quem morre.

É isso, poetisa!

Rafaela Figueiredo disse...

Will, querido!
Vc acertou na veia. Meu livro chegando, vc notará. ;)
Por sinal, perdão: ainda não fui ao correio. Mas irei!

Beijos

Will Carvalho disse...

=]
Claro!!!
Eu resolvi voltar aos meus 12 anos e fazer um poeminha rimado lá no sobrepassos...
depois da uma conferida.

beijão!!