segunda-feira, 5 de março de 2012

mais uma versão de para [quase] todas as coisas


para dias brancos, aquarela;
para escrever, caça-palavras;
para se perder, fechar os olhos;
para se encontrar, também;
para dormir, tv ligada;
para acordar, chuveiro;
para beber, moderação;
para se vestir, também;
para divertir-se, porém, não;
para engarrafamentos, malabaristas;
para silêncio, atenção;
para mau-caráter, pena;
para mau humor, um balde d'água fria;
para janelas, paisagens;
para arriscar, coragem;
para aeroporto, chão;
para beija-flor, fotografia;
para casamento, advogado;
para o verão, brisa;
para se viver, aleg[o]rias;
e, para morrer, é qualquer dia.

7 comentários:

Fabrício Franco disse...

Gostei de tudo: da ilustração, da fonte usada no texto, do receituário à semelhança de 'Diariamente' de Nando Reis & Marisa Monte. Nem tudo enumerado me serve (por exemplo, TV ligada não me deixa dormir; para isso, só o silêncio e a escuridão). Mas o final, esse é 'matador' (trocadilho infame é intencional).

Beijo!

Cris disse...

Verdadeiro Master-Card! Rsrs Bjs

Linguagem e Poesia - Bruno de Andrade disse...

Primeiramente, adorei o novo visual do blog. Fico impressionado com a sua capacidade de encontrar palavras por detrás de uma mesma palavra e ainda por cima sendo capaz de contextualizá-la: "aleg[o]rias". Incrível! Seu talento para explorar esse sistema de produção de significados tão fascinante, tão fundamental, tão plástico, dinâmico, multifacetado, heteróclito que é a língu(agem)é maravilhoso e suscita-me uma questão: em sua prática pedagógica, procure ensinar sobre a instigante experiência com a linguagem, que não pode ser reduzida a um mero instrumento de comunicação de que nos valemos no cotidiano, mas que é, acima de tudo, um atividade ou processo criador, elaborador, estruturador das nossas experiências de mundo. Carlos Franchi nos ensinara: "a linguagem é um processo criador em que organizamos e informamos nossas experiências".
Seus textos nos oferecem muita matéria para meditar nesse tocante. Este poema especialmente põe a nu justamente a função fundamental a que serve a linguagem: a de nos fornecer "versões do mundo", "modelos de mundo". Na sua versão, o mundo está esquematizado, nossas experiências "facilmente" resolvidas, bem ao gosto das tendências pós-modernas, utilitaristas, pragmáticas, com suas fórmulas simples para solucionar problemas intricados.

Dá pano pra manga!

ps. Fiz um comentário abaixo do seu comentário em meu último texto do blog. Depois dá uma passadinha lá!

Beijos, querida!

Jéssica do Vale disse...

Eis que o ser humano,
como algo frágil,
trás consigo também,
algo encantador!
A rotina quebra-se
no momento que a poesia
entra em cena.

Parabéns.

Rafaela Figueiredo disse...

obrigada, Fabrício!
obrigada pela atenção a tudo!

um beijo

.

haha adorei!
hj eu acordei no momento master!

bjo

.

amigo lindo,
acho q meus olhos veem as palavras como se dançassem e, de súbito, mostrassem significantes múltiplos... - coisa de gente doida! rs
mas vc é um hermeneuta! =)

beijão

.

pois é... a rotina nos desumaniza.
interessante pensar nisto.

um beijo grato

Alfinetaria disse...

Oi,linda?Posso musicar esse poema?Se a gente ficar rico divido a grna com vc,rsrsrsrs

Rafaela Figueiredo disse...

ora, deixe contato!
já fiz isto e a experiência é bacaníssima!

confira aqui: http://www.recantodasletras.com.br/audios/cancoes/25505

com postagem aqui:
http://mudandoeuvou.blogspot.com.br/2009/10/voltando-ou-ainda-no-rol-da-musica_02.html