sábado, 16 de julho de 2011

amor-tece-dor



mil e uma peças tem o coração.
bate, bate, bate... maquinal
nesta vida de amor industrial
cuja autoridade máxima é a razão.

tão subordinado o pobre coração.
bate, bate, bate... maquinal
sem carteira ou renda mensal
a fabricar produtos de emoção.

pelo tempo das Revoluções Internas,
quebram-se legislações falidas;
nas indústrias das paixões eternas

sempre há casos de ilusões perdidas.
então, nova peça recompõe as pernas
das más emoções [(de) amor-]tecidas.



9 comentários:

Linguagem e Poesia - Bruno de Andrade disse...

Este belíssimo poema foi tecido, assim suponho, em terrenos machucados por uma desilusão. Estou errado? E por nutrirem-se nessa desilusão as palavras que o compõem estão enlaçadas, semanticamente, como amantes. Este poema lança alguns caminhos para refletir sobre a linquidez do amor nos tempos (pós)modernos: o amor industrial, que produz aparências e ao qual o coração-operário está subordinado. Esse amor é o amor da descartabilidade e seus produtos, uma vez consumidos, por um tempo breve, podem dar lugar a outros "produtos de emoções".
Alguns racionalizam o amor; Nós emocionalizamo-lo!

Beijos carinhosos!

Linguagem e Poesia - Bruno de Andrade disse...

Gostei do trecho "bate, bate, bate... maquinal"! É o próprio automatismo alienante do proletário... Não consigo deixar de pensar em "Revolução Industrial", quando leio "Revoluções Internas". É possível? rsrs

Adorei o poema!
Beijos!

Rafaela Gomes Figueiredo disse...

e quem sou eu para dizer que suas elucubrações fogem às minhas insinuações poéticas?!
;)

obrigada sempre!

beijobeijo
*tô bem melhor! =)

~*Rebeca e Jota Cê*~ disse...

Que razão chata essa.

Perfeito texto.

JC

Rafaela Gomes Figueiredo disse...

jota,
que saudade de vcs.
que triste novidade a que constatei... =(

sigamos, né?

um beijo

Fernando Lago disse...

Que bela e genial poesia!

Parabéns!

Talita Prates disse...

preciso de novas peças...
já encomendei... (comigo mesma!)

adorei-ei-ei, florinha!

(L)

Li.

ticoético disse...

Que beleza,é sentimento puro,melhor que a cerveja deixada de lado pra ler.Desculpe a ausência,estou rodando fora da órbita,saindo pela tangente talvez.Em breve tô de volta,mais provável fim de mês,enfim,bela.

abraço quente e muito carinho.

Rafaela Gomes Figueiredo disse...

o bom é que, sendo consumidores, somos [obrigatoriamente] produtores, florinha! ;)

beso!

.

amorinho,
desculpo sempre - por nada! =P
se cuide!

abraço-pulo!