terça-feira, 5 de outubro de 2010

Involução*

Salvava-me a escritura.

Salvavam-me as leituras.

Salvava-me tudo

O que me [e]levasse às Palavras.

[Agora elas me quedam?]

Entanto não sei mais se [há] prosa ou verso, quando tento no abismo da existência não cair: mergulho fundo-fundo e fundo... E, neste encontro d’alma, ganho asas

Com que subvoo o mundo...



*nota para mim.

12 comentários:

Moni. disse...

Só sei que as palavras te tomam e a mim também.

E assim, há o voo que gratuitamente nos presenteia...

Lindo demais, Rafa!

Beijos!

Tê disse...

Rafita, 'tô te sentindo fluida...
Que lindo isto!
Bjks

Bruno de Andrade disse...

Mario Quintana tem um simples mas provocante poema, cujo título é "projeto do prefácio". As duas últimas estrofes são as seguintes:" Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte/ não tem sentido: é um pobre chocalhos de palavras". Também Azeredo ensina-nos que todo poema tem basicamente duas funções: incitar a sensibilidade e provocar o entendimento. Tanto em Quintana quanto em Azeredo a ideia de que um poema não pode ser lido com fins puramente estéticos está presente. O poema é um sopro lírico da alma que desestabiliza, que convulsiona, que provoca o alargamento, a transmutação de nossas percepções. Os seus poemas, especialmente este, a que remeto este comentário, têm sempre esse caráter metabolizador do espírito. O leitor, portanto, detém-se por alguns instantes, no esforço de compreender este fundo-fundo de inigualável beleza que é sua alma, alma que nos propõe um "subvôo" pelo mundo, a fim de, pelas asas que nos dão as palavras, penetrar às entranhas da existência, sem, contudo, cair em seu vazio. É na fragilidade das palavras, na sua debilidade, que ao mesmo tempo que nos eleva nos faz quedar, que podemos dar voos rasantes sobre a existência, ao invés de ficar a patinar em sua superfície absurda.

Rafaela Figueiredo disse...

Moni,
sub ou sobrevoemos, sempre, para que o olhar saia do rés.
- eu penso que é [só] ele que nos tira [d]o chão!

beijobeijo

.

Tê,
tenho andado mesmo! ou melhor, fluído... [quase voando!] =)

beso

.

Bruno,
caramba! vc me emocionou com suas palavras – ah, palavras...
sabe: tenho um sentimento de ‘fragilidade’ ao lidar com elas. na verdade, levo-as tão intrínsecas, que por isso, às vezes, o silêncio é tudo o que posso oferecer [ao mundo]: como se doesse-me dizer.

em geral, pois, ao falar das Palavras – metadizendo-as –, é porque, justamente, não sei fazê-lo; quando falo do silêncio, sim, transcrevo-o, porque o invento na contradição...

eu acho mesmo é que só digo/silencio aquilo que eu não posso/quero ouvir.

então eu descobri, acredito: as Palavras, estas, sim, sozinhas, transcrevem-se-me.
e assim me salvo – e não elas a mim! =)

obrigada, mais uma vez, pela gentileza da leitura-olhar!

beijo

Bruno de Andrade disse...

Que bom saber que meus comentários contribuem para estabelecer entre nós, a despeito da distância, uma cumplicidade emocional. O fato é que somente aqueles que tiverem essa relação de fragilidade com as palavras poderá apreender a solidez e densidade lírica de que as suas palavras se revestem!

Beijos!

Rafaela Figueiredo disse...

sim, Bruno: isto que sustenta os elos cósmico-virtuais que estabelecemos por aqui/aí...! =)

beso

Anônimo disse...

Rafa!
Que comentário magnífico feito pelo Bruno!
É isso aí, garota!
Até sem palavras, diz muito.
Você é 10.000!!!
Bj!
Wll

Rafaela Figueiredo disse...

é de uma lindeza essa pessoa, né?!

e vc também, amigo!

beijão
(L)

Talita Prates disse...

dá esse poema
pra mim?

hein?

(... o que digo?!)

AMO*

Li.

Rafaela Figueiredo disse...

é seu-nosso! :)

beijo, florinha!
AMO

Marcelo Novaes disse...

Rafa,


Subvoa, ehhhhh?!



EUA-XO que vc só se tornou mais crítica...






Um beijo.

Rafaela Figueiredo disse...

não sei, amigo...

me sinto tão no 'automático' ultimamente. =/

entende?