quinta-feira, 29 de outubro de 2015

ao contemplar Dalí


interminável como um rio
flui de instante a outro instante
sempre, sempre e em um só sentido
e nadamos em seu mistério assonante

seu caminho previsível e consistente
é medido por nascentes e poentes
ei-lo, pois, esse processo de repetição?
nem tudo o que repete é um refrão

e se a medida oficial do mundo
cuja frequência de oscilação
dos átomos de raro césio
precisa-nos cada segundo em vão?

dentro das coisas inapreensíveis
seguirá guardado o seu portento
: indicam horas os relógios
mas nunca dizem o que é o tempo

3 comentários:

Fabrício César Franco disse...

Poetisa,

Vários tentam definir essa gaiola-jaula que é o tempo, mas poucos conseguem tão instigantemente como você. Gostei!!

Beijo!

Marcos Satoru Kawanami disse...

Sim, tens razão. Os relógios indicam horas, mas o tempo o que será?
E o poema todo está escrito com maturada noção de poesia.

BjóKawanami

Rafaela Figueiredo disse...

Poetíssimos queridos,
Muito grata pelos olhares sensíveis e gentis de sempre.

Beijos