
Assisti ao sensacional "Le Scaphandre et le Papillon", uma metanarrativa sobre um homem, Jean-Dominique Bauby, que escrevera um livro [homônimo do filme] durante os 15 meses que passara em um hospital: vítima de uma paralisia física total, conhecida como Síndrome Locked-In.
Mas como ele pôde escrever tal livro é a pergunta iminente. Jean-Do, com a ajuda de Claude Mendibil [sua 'intérprete'], transmitiu cada palavra - letra por letra - usando apenas o olho esquerdo [que era tudo o que ele podia mover]. Como? Um alfabeto de ordem decrescente de utilização na língua francesa fora o instrumento possibilitador de tal comunicação.
Assim, Claude soletrava-lhe e, com uma piscadela, o admirável paciente confirmava a letra desejada. Quando fechava o olho por alguns segundos, significava o fim de uma sentença ou parágrafo. Duas piscadelas também enunciavam quando necessário: era um 'não'.
É ou não para morrer de chorar?!
Apesar de uma condição, por muitos [e, por algum tempo, até por ele próprio], considerada vegetal, Jean torna-se o mais puro significado de viver. O escafandro [associado à prisão de sua doença] e a borboleta [ao seu pensamento - única liberdade] são, pois, o inexorável sentido da vida: a viagem interior, o mergulho em nós mesmos somado ao voo da imaginação, sob a redentora faculdade da razão.
*Jean-Do faleceu poucos dias após a conclusão de seu livro.
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