sexta-feira, 14 de junho de 2013
Morfossintaxe-me
A minha língua é sem coordenação:
Tal modo subordina-se à tua.
Em minhas orações
(que rezo aos terços no meu quarto)
Tu, substantivo próprio;
Tu, complemento de minha saudade,
Te fazes direto objeto
De meu odiar:
Enquanto à meia voz
Passiva
Não me respondes aos vocativos
Que oferto, a clamar...
Nesses períodos,
Compostos por intransitividades tuas,
Reduzida,eu
Te adjunto em pensamento
Ou te advérbio no meu peito
Para que tu sintaxe - e permaneças -
Em meu mais íntimo e descomposto
Núcleo do sujeito.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
dédalo
mirando o tempo
contemplo a vida
- em números, retratos, vãos -
cheia de (d)anos
e ambiguidades.
há gentes que vêm
há gentes que vão;
uns sob panos
outros sem máscaras
ou vaidades...
nas curvas de minha (c)idade
carrego o meu olhar
perplexo
ávido
inútil...
e a vida -
este labirinto íntimo
de sons
e sonhos
e assombrações.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Inexorável
Não há razão para o Poema:
Escrever é rabiscar
No agora
O que não cabe
No amanhã;
É observar o risco
De uma estrela cadente
Na textura celeste,
De onde despenca, a cada instante,
Uma nova hora e era.
Porque no Tempo somente,
Este profundo e inacabado Caos,
Nasce, inesperadamente, a essência
Incompreensível
Da eternidade...
Escrever é rabiscar
No agora
O que não cabe
No amanhã;
É observar o risco
De uma estrela cadente
Na textura celeste,
De onde despenca, a cada instante,
Uma nova hora e era.
Porque no Tempo somente,
Este profundo e inacabado Caos,
Nasce, inesperadamente, a essência
Incompreensível
Da eternidade...
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Pormenor
Quando eu velha for,
Os meus versos de dor
Não caberão à realidade
De mi'a curta mocidade
E as muitas páginas vazias
De mi'as remotas alegrias
Serão, no silêncio adormecido,
Sonhos que não foram lidos...
E esse meu estranho jeito
Ensinar-me-á ao peito
Que a saudade, sim, é triste
E que ela hoje não me existe;
Lá, eu sentirei - quieta -
Da que não que havia, mas me fez poeta.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Brasil
Tanta seca para pouca chuva
Tanta vaca para pouco mato
Tanto pé para pouca uva
Tanta rã para pouco sapo
Tanto frio para pouco casaco
Tanta gente para pouco espaço
Tanto chão para pouco vassalo
Tanto reino para pouco palhaço
Tanta boca para pouco prato
Tanta merda para pouco vaso
Tanto drama para pouco caso
Tanto azo pro porco Estado!
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