quarta-feira, 24 de julho de 2013

Sem mais

Não quero o chão
Nem nuvens;
Não quero superfície
Ou profundezas.

Não quero mais
Nenhum [em] vão
No vago fim
Do infinito de nós dois
                          [ou mim]...



sexta-feira, 14 de junho de 2013

Morfossintaxe-me


A minha língua é sem coordenação:
Tal modo subordina-se à tua.
Em minhas orações
(que rezo aos terços no meu quarto)
Tu, substantivo próprio;
Tu, complemento de minha saudade,
Te fazes direto objeto
De meu odiar:
Enquanto à meia voz
Passiva
Não me respondes aos vocativos
Que oferto, a clamar...

Nesses períodos,
Compostos por intransitividades tuas,
Reduzida,eu
Te adjunto em pensamento
Ou te advérbio no meu peito
Para que tu sintaxe - e permaneças -
Em meu mais íntimo e descomposto
Núcleo do sujeito.


segunda-feira, 27 de maio de 2013

dédalo



mirando o tempo
contemplo a vida
- em números, retratos, vãos -
cheia de (d)anos
e ambiguidades.


há gentes que vêm
há gentes que vão;
uns sob panos
outros sem máscaras
ou vaidades...


nas curvas de minha (c)idade
carrego o meu olhar
perplexo
ávido
inútil...

e a vida -
este labirinto íntimo
de sons
e sonhos
e assombrações.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Inexorável

Não há razão para o Poema:
Escrever é rabiscar
No agora
O que não cabe
No amanhã;

É observar o risco
De uma estrela cadente
Na textura celeste,
De onde despenca, a cada instante,
Uma nova hora e era.

Porque no Tempo somente,
Este profundo e inacabado Caos,
Nasce, inesperadamente, a essência
Incompreensível
Da eternidade...