quarta-feira, 9 de maio de 2012

"O meio do avesso"


Não creio que seja a pessoa mais indicada para falar de minha própria... 'obra': meu grau de egolatria é muito baixo para isso. Mas o nível de alegria é alto e a propaganda se faz necessária!

Ia fazer uma ligeira propaganda também da editora e tal, mas estou meio revoltada: minha capa não saiu bem o que eu esperava [meio escura e com imagem mal editada], todavia vamos ao conteúdo - que interessa.

Depois de mais 4 anos sonhando e organizando um espaço [além blog e caderninhos] onde eu pudesse deixar registrados os devaneios-desabafos-desastres... enfim, venho anunciar o 'lançamento' d'o meio do avesso, meu primogênito livrinho de poesias.

Para quem já sabia dele, a espera acabou; para quem 'tá sabendo agora, eis um pouquinho: 

"Foi de tanto ler poesia que Rafaela Figueiredo ficou assim: essa inteligência intensa pintada com lírico deboche. Um tanto de juventude e aquela coragem de publicar livro de poesia num mundo que conta apenas o peso morto do dinheiro; um tanto de maturidade e a liberdade de rimar o cotidiano com as dores de "minh’alma sombria” – que ora aparece também como “minh’alma desnatada”  , eis a pessoa poética que é, no espírito desta letra que ora se apresenta aos leitores. (...)"  

[Trecho da orelha que, com muita gentileza, a linda da Marcia Tiburi me deu!]

Bem, meu avesso traz, pois, destas coisas, que, muitas vezes, só o silêncio escuro [do meio, do in] pode dizer. Mas traz também cores, dos dias mais leves, e amores, não só de rima com dores.

Poesia não sustenta a vida, mas alimenta uma alma. Por isso, o preço 'tá bacana; não seja mão-de-vaca, hein?! [hahaha]

Maiores informações: omeiodoavesso@gmail.com 


quinta-feira, 3 de maio de 2012

simbolista



em meu peito ecoam mil e um rumores
— mordazes, doces; frescos, miasmáticos —
como chuva, a carregar os dissabores
resolutos de frustrados sóis sabáticos;

vastos, como as noites invernosas,
em que todos os murmúrios são(-me)
incensos orvalhados sobre as rosas
de jardins particulares em fusão.

é quando o extremo tédio de meus dias
faz do mundo o mudo esboço
de fluidos e ermos sonhos e agonias...

e é tal como se agarrassem-me o pescoço
as garras assassinas da poesia
com os devidos versos num endosso.



terça-feira, 24 de abril de 2012

canto mudo



há canto
no tanto
de encanto
e espanto
com que canto
meu pranto?

se tanto
do espanto [encanto]
é o encanto [espanto]
do pranto
que, em um canto,
[su]planto.

domingo, 15 de abril de 2012

es[c[alar]


e se o amor
e a música
no peito se
calarem?

- a vida...
um nada
a se escalar.

razoo
somente
uma medida:
O
[S]
A
L
T
A
R!

*porque, ultimamente, estou [pseudo]sacrossanta.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

[d]o remir faz-se [o] lá, si[m]

sonhei que me desciam
de celestiais escadas
fartas, pálidas
as nuvens
e, me tomando em seus etéreos braços,
na aurora cálida
dançou comigo o canto
ímpio
dos mortais.

ao sol poente
falamos sobre a vida
a morte
e mais
[e fiquei louca!].
hoje repousam sob mim
fartas e pálidas
as nuvens
onde me encontro - pura -
santificada embriagada por teus graais...



*falando em batismo, renascimento e tal... boa páscoa!