sábado, 16 de julho de 2011

amor-tece-dor



mil e uma peças tem o coração.
bate, bate, bate... maquinal
nesta vida de amor industrial
cuja autoridade máxima é a razão.

tão subordinado o pobre coração.
bate, bate, bate... maquinal
sem carteira ou renda mensal
a fabricar produtos de emoção.

pelo tempo das Revoluções Internas,
quebram-se legislações falidas;
nas indústrias das paixões eternas

sempre há casos de ilusões perdidas.
então, nova peça recompõe as pernas
das más emoções [(de) amor-]tecidas.



quarta-feira, 6 de julho de 2011

haikais




pseudo-companhia

o café, pela manhã,
tem, no meu quarto,
o calor do teu abraço.


visita

de mim saudosa,
me procuro pela casa
que nunca foi minha.


metapoeta

no espelho, eu
fiz um verso solitário
reflexo meu.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Para que serve a Arte [?]



A Arte é, muitas vezes, um espetáculo sobre o qual depositamos nosso olhar [já viciadamente “intelectualoide”], o qual pode vir torná-la mera mimese do real e da natureza, enquanto recriação destes.


Responder para que serve a Arte – como está proposto no texto de Alain de Bottom – é um exercício que se arrola há e em diversas épocas e que, até hoje, antepõe o ato de pensar ao de sentir.


Nietzsche, que buscou sensibilizar o conceito de Arte, mostra que, no entanto, uma experiência implica em outra. Isto é: pensar leva a sentir.


É através do questionamento sobre o sentido da Arte que a união de razão e emoção estende-se à sua compreensão.


Uma obra de arte suscita, portanto, o pensamento: sua retórica visual faz-se espelho, no qual nos podemos olhar e, de fato, ver – refletir.

*resposta de prova. nota máxima! =)

terça-feira, 21 de junho de 2011

a-risco


os poemas são silenciosos
riscos
– voos inscritos pelo céu escuro;
asas presas na armadilha d'uma aranha...

mãos que espantam pássaros
nunca hão de tecer teias:
o que escrevo são galopes!
os meus lábios, ferraduras
que penduro atrás da porta,
onde ninguém lê.

a lua
é uma sintaxe musical – serenata às janelas –
que tão poucos ouvem.

do seleiro da noite,
ouço os sons de cada letra minha
– um corcel de punhos!

rolam fenos assilábicos
nas bóreas do horizonte sombreado à neblina...
e a égua da manhã
relincha na esplanada,
arriscando as linhas
que eu cavalgo no dorso do dia.


"Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse casa dele, e é.
Trata-se de um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem [...]
tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo:
come às vezes na minha mão."

C.L.