
Duas irmãs. O casamento de uma delas, "bancado" pelo riquíssimo cunhado. Conflitos familiares ao longo da festa. Melancolia. Traição. Separação. Melancholia. A Gruta Mágica. O Fim do[s] mundo[s]. Assim se resume - sem menoscabar, mas por medo de tocar o brilhantismo intangível e para evitar desvelo - o último longa, obra-prima expressionista, do cineasta Lars von Trier.
O cenário é praticamente único: um castelo europeu - um "mundo" [de luxo] onde os dramas se arrolam sitiado por realidades praticamente ignoradas; a espera da espetacular passagem de um planeta azulado [Melancholia] pela Terra; o medo de Claire de morrer e o descaso de sua irmã recém-casada-separada, Justine, por viver.
A música que permeia todo o filme também é única: Tristão e Isolda, de Wagner - a mais perfeita expressão de angústia e sei-lá-mais-o-quê; capaz de dublar quaisquer diálogos e arrebatar os mais insensíveis ouvidos.
Na trama plena de simbolismos, o que une e sugere a ideia de mundos está na manifestação do interior das personagens refletida no espelho do mundo exterior. Ou seja, Melancholia, Terra e a Gruta Mágica [abstração do pequeno filho de Claire para salvarem-se do inevitável Fim] são, metaforicamente, eles mesmos.
O casamento - início de uma nova vida - é o primeiro dos Fins, pois que não dura mais que um dia. A constatação do possível choque do planeta azulado com o planeta azul, a Terra, é o maior deles. Eis [numa premissa um tanto pessimista] a inescapável Melanc[h]olia - mal-estar de uma civilização sem forças nem muitas razões para [sobre]viver - a engolir o planeta; dando-se, pois, o Fim do Mundo.
Assista ao trailler aqui.