quinta-feira, 22 de novembro de 2012

inóspito

com a luz que abrasa o dia
em tudo eu vejo a poesia!
no breu da noite [mudo]
eu ouço a poesia em tudo.

se estes meus versos,
por mim, falassem
o que não cabe numa ideia
ah, quem me dera!...

mas não é a dor pungente
nem é o amor urgente
que se me derramam
na poesia dessa hora...

mas qualquer outra natureza
em que pairam incertezas.
e é lá que está a cor implícita
de mi’as ânsias infinitas!

são sombras inclassificáveis;
palavras insubordináveis
que me tomam o tom certo
por esse pálido deserto...

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

[à] sombra

as gotas de orvalho,
que pingam a vida - fina e lenta -,
[sinto]
suam nos cantos das paredes quentes...
vejo meu reflexo à janela:
movo-me inquieta
neste quarto assimétrico;
nada mais se mexe.
mas sei que há,
ali,
à espera,
olhando-me,
lambendo os beiços
a fera da noite
[prestes a engolir-me... o sono].

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

mudo acústico



enquanto não vem a poesia
a gente se lembra um pouco
que há, no silêncio, a canção
escrita e tocada aos moucos.

[ou, quem sabe, loucos]

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

de céus diversos



dos desabrigos

nas calçadas, à lua,
brilham sonhos-pirilampos
como estrelas de rua.

dos voos

com invisíveis linhas,
teço, no imenso pano azul,
um bordado de andorinhas.


dos brilhos

murmúrios estelares
são matérias de silêncio
na boca da noite.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Há dias em que...


nem um rabisco [na palma].
nem um bom disco [acalma].
nem mesmo um risco [salva].
nem ser bem-quisto [ou mal].

somente um misto [n'alma]....