terça-feira, 27 de março de 2012

aleijada emocional


quando nasci,
primeiro tapa
que eu levei
foi bem na cara.
dera-mo
a vida!

o resultado:
gauche de berço;
sensível a toda dor;
...
- precariamente evoluída.

quarta-feira, 21 de março de 2012

[a]mar



mergulhei raso
para te encontrar;
foi-me negado
o náufrago.

não sabia;
agora sei:
é natural da água
deslocar[-se] à profundidade.



"mas amar é profundo
e nele sempre cabem, de vez,
todos os verbos do mundo..."
[z. duncan; m. jeneci]

segunda-feira, 5 de março de 2012

mais uma versão de para [quase] todas as coisas


para dias brancos, aquarela;
para escrever, caça-palavras;
para se perder, fechar os olhos;
para se encontrar, também;
para dormir, tv ligada;
para acordar, chuveiro;
para beber, moderação;
para se vestir, também;
para divertir-se, porém, não;
para engarrafamentos, malabaristas;
para silêncio, atenção;
para mau-caráter, pena;
para mau humor, um balde d'água fria;
para janelas, paisagens;
para arriscar, coragem;
para aeroporto, chão;
para beija-flor, fotografia;
para casamento, advogado;
para o verão, brisa;
para se viver, aleg[o]rias;
e, para morrer, é qualquer dia.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

hesito o êxito


não meço:
começo.
conheço
o começo!
mas nunca
sei do meio;
se receio
é, pois,
pelo depois
do verso
cósmico
[ou cômico]
do caos
que cai
em mim
e fim.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

quintessencial


sob a luz das forças planetárias
justifica-se o espaço [in]finito
de meu pensamento
- que não ocupa espaço algum.

o poema - a palavra - se acalenta como f[l]or
[de lis ou luz]
na Terra que conspira,
indispensável, a seu favor.

o Universo sentencia o corpo
em meio a cor-ação e mente;
a lei cósmica dos sensos
angaria o [meu] mundo [ou vice-versa]...

e pouco importa qualquer fato,
salvo as fronteiras da existência
rolando os dados do acaso
à [ex]comunhão da quintessência.