terça-feira, 22 de junho de 2010

que a razão desconhece!

não me venham com essa!
eu¹ não quero ser aquela da vida de homem algum!; eu não preciso de que homem me chame sempre de linda; eu não espero que ele diga que sou gostosa ou que o deixo louco; eu não urjo² que ele ligue todo dia ou mande dezenas de torpedos lembrando o quanto me deseja; eu não quero que ele insista em pagar a conta do motel, restaurante ou parque de diversões; eu não tô nem aí se ele faz questão de apresentar-me à família ou não; eu não espero um gentleman; não ligo se ele abre a porta do carro ou desce à minha frente numa escada, protegendo-me, caso caia; eu não quero um homem nota dez ou mil!; eu quero um homem em que queira me jogar em cima; com o qual queira ficar dentro do carro (ou ônibus ou quarto); quero um homem das cavernas, pelo qual minha temperatura alcance ebulição em 10 segundos; um homem para mostrar à minha família e a todo mundo; quero um homem por quem sinta necessidade de pagar a conta; eu quero ter a vontade de ligar para ele manhãtardenoiteemadrugada só para ouvir sua voz no ouvido; eu quero sentir o gosto dele mesmo de longe, e sorrir de gozo só de lembrar seu rosto (seja feio, bonito ou maravilhoso); o que eu quero é, pura e simplesmente, um homem por quem queira estar viva! (e, às vezes, esse não é e nem faz nada-nada disso...).


"quem sabe o príncipe virou um chato
que vive dando no meu saco
quem sabe a vida é não sonhar (...)
eu sou poeta e não aprendi a amar..."
[Cazuza; Frejat]

¹o pronome ‘eu’ fora usado como substituto do vocábulo ‘mulher’, para não haver confusões. é sempre bom! ;-)
²eu não sei se esse verbo se conjuga na 1ªp.! lalalá*


sexta-feira, 11 de junho de 2010

"Stop./ A vida parou/ ou foi o automóvel?" CDA




porque me irrita muito o falso ufanismo,

em flâmulas [verde-amarelo],

espalhado em carros varandas janelas lojinhas botecos e o cacete-a-quatro!



[e eu torço pela Itália
]

segunda-feira, 7 de junho de 2010

à margem do meio



onde não há tempo
sou eterna;
pelo pensamento,
nada é longe!
: não há espaço [à fala].

pelo que transcende
há o Amor e há o Abraço.
[e tudo é trama
e tudo é laço...]

em areias espalhara
os meus passos
– migalhas de mim –
por que me orientei...

e o que me existe
não tem fim, nunca cessa;
a palavra que [me] cala
pelo meio começa...




"Clarice diz que sua função é cuidar do mundo.
E eu, que não sou Clarice nem nada, fui mal forjada,
Não tenho bons modos nem berço.
Que escrevo num tempo onde tudo já foi falado, cantado, escrito.
O que o silêncio pode me dizer que já não tenha sido dito?"

[V. Mosé]

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Rebecca Horn - Rebelião em silêncio



Não tenho o hábito de ir a exposições acompanhada: a) porque, infelizmente, são poucas as pessoas que têm o prazer de fazê-lo; b) ou meus horários vagos não coincidem com os seus; c) e, principalmente, porque meu voto é direcionado à solidão – que deve ser compreendida como queiram.

Na passada semana, no entanto, fui ao centro da cidade reencontrar uma querida amiga (Camilinha), que não via há duzentos anos – ok, há um ano, aproximadamente; mas a saudade era bicentenária! E, aproveitando nosso ‘eclipse’, fomos ao CCBB e deparamo-nos com a transcendental exposição de Rebecca Horn.

Não sei se por pura alegria do encontro ou porque quarta-feira é um dos meus dias preferidos, mas fui espirituosamente inspirada pelo que vi(vi). A “Rebelião em silêncio” manifestou-se em mim, de tal maneira, que estive uma tagarela de primeira – o que não é meu hábito. Contraditório (?), talvez. A verdade é que, apesar do silêncio da exposição, os sons (em muitos hertz metafísicos) proporcionados pela mesma nos invadem a alma, ainda que pelos olhos...

O lúdico jogo, entre Palavra e Risco – imagens–, traçado pela artista, é algo que nos cinge de forma indescritível, porque deveras inquietante – dilema? O sensível torna-se-nos incômodo; fato, inevitavelmente, vivenciado frente aos vídeos, lá, expostos. Como, por exemplo, um no qual aparece uma mulher usando uma máscara (a la Hannibal!) ornada de vários lápis; e tudo que ela faz é girar a cabeça, de um lado a outro, sobre uma parede, riscando-a, riscando-a, riscando-a... quase infinitamente! (E porque música é arte, pensei em Spandau Ballet: “This is the sound of my soul...”)

Percebi que poucas pessoas permaneciam por mais de 2 minutos nas salas de vídeos. Quando fui pela segunda vez (ah, confesso que precisava ir sozinha! rs), assisti a um filme por uns 40 minutos, e nunca acabava também! Mas tudo que consegui captar, ali dentro, além da primeira vez – quando cheguei, por exemplo, à conclusão (genial, modestamente!) de que um pênis ao telefone tinha, sim, sentido: podia-se entender como “falo ao telefone” – era muito pouco em relação ao que me despertou a ver do lado de fora:

Uma rebelião silenciosa gritava em todos os cantos. E eu era só mais uma alma, perdida entre o gregário e solitário desenho de (vi)ver – um enorme risco na superfície da vida.



*Uma lástima não poder mostrar fotos (no Google tem bastantes); mas ainda vou tirar umas na ‘clandestinidade’. ^^

sábado, 29 de maio de 2010