segunda-feira, 20 de julho de 2009

Só um desabafo... ou Conflito neurótico-psicológico




Eu queria dizer algo sobre a beleza das pessoas. Mas acho que é algo tão sublime, que é mais passível de ser observado, sentido, introjetado... do que (d)escrito, especificamente.

Apesar disso, pude perceber que a maioria daquelas que eu tenho conhecido tem se mostrado tão gentil/ simpática/ disposta/ comunicativa/ bonita (!), que me levei a questioná-las. [Não que eu seja “desacreditaaada” da beleza delas, mas... o tempo – ainda que curto – já me proporcionou certas desconfianças. Ou como dizem às más línguas: “quando a esmola é demais...” Talvez porque eu carregue um “carma-ímã” de pessoas não muito verdadeiras. E pelo fato de que – ironicamente – possuo um poder empático muito forte pra isso, e quando ele dispara seu alerta, é porque tem cabelo no angu!!! Mesmo assim, eu deixo rolar...

Mas, bem, isso aqui não é para dar em nada - com o perdão do pleonasmo - (e porque hj é Dia do Amigo); somente para introduzir alguma postagem próxima, em que a Empatia virá dizer: Tá vendo? “Suspeitei desde o princípio”! Mas, como sempre, sua surda e cega condescendência não me dera a atenção devida e, mais uma vez, vc quebrou a sua cara!

E eu responderei: É, sabia que vc diria isso! Afinal, quem tem memória aqui?

E ela rebaterá: Vc (e nem tanta)! Mas, pelo visto, vergonha quem tem sou eu!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

[In]compreensão



Aquilo a que chamam Deus
Não me deu poder de fala:
Silêncio grita intermitente (em mim)!
E só eu posso ouvir...
E ainda assim não sei dizê-lo.
Arranha-me por dentro;
Amputa-me por fora;
Restringe-me à solidão.
Solidão que não é má e nem é boa.
Solidão que me acompanha
- Predica-me.

Às vezes, me arrisco; falo um pouco
(Mas é só para mim)
- E não me entendo.
Se um dia meu silêncio se calar, porém,
Todas as palavras eu hei de falar!
E não poderei nunca me entender também.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Sobre Muito Pouco



Às vezes sou plena poesia.
Poemo-me inteira: frente e verso.
Corpo que não esvazia
Palavra que, porém, transborda em si
Com toda a autonomia.
E não diz nunca porque quero!
Nem tampouco porque sinto
Ou porque vejo ou porque minto...
Perde-se por trás dos olhos
Sob os óculos escuros;
Pelas ruas que se movem
Sob os passos sem cadência;
Pelas máquinas famintas
Sob fulcrais barulhos;
Pela onomatopéia dos relógios;
Pelo vôo silencioso d’um mosquito;
Pelas asas de um avião caído;
Pela falta de um ente,
Sob os pés, adormecido;
Pela conta já vencida e ‘inda não paga;
Pelo morador de rua invisível
Sob as fossas faciais da sociedade;
Pelo lixo exagerado
Do consumo insustentável;
Pelas pedras polidas ou pelas pedras brutas;
Pelos pés dos manequins
Tão distintos dos nossos;
Pelo gato no telhado
Sob a lua mais altiva;
Pela sedução do mar
No abismo do horizonte;
Pelo jogo, pelo amor
Ambos já tão perdidos;
Pela estrela, que ilumina
O breu de nossos destinos;
Pela vida, pela rima
Pela ausência que acompanha;
Pela coisa, pela dúvida
Pela reticência aguda;
Pelo eu, pelos loucos, pelos poucos
Sob a imensurável vastidão dos muitos.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O Haiti é mesmo aqui!


Parafraseando Caetano, porém, ouvindo Chico (sua canção “Subúrbio”) foi que pensei: e eu aqui reclamando por não ter dinheiro para ir ao show do Alceu! =/

Lia sobre tecnologias num jornal, quando me dei com o título Fome no Haiti, cujo texto, acompanhado da imagem acima, principia com a pergunta “Você já pensou em comer lama?”. Pois é... certamente não. Mas há, no referido país, milhões de pessoas fazendo isso, devido à fome.

Sabemos bem que esse é só um dos problemas que assolam aquele país (e, em se tratando deles, nem é preciso ir tão longe!), além de toda história conturbada que percorre tais terras (de que agora se alimentam aquelas pessoas!); todas as crises políticas, econômicas etc. Um lugar com sei lá quantos milhões de habitantes não é tão invisível assim! Tanto que as “boas terras” existentes já foram aproveitadas por outros Países-Estados (inclusive pelo Brasilzinho) em virtude de suas razões capitalistas muito mais urgentes, claro!

O fato é que não quero cá falar do que não tenho pleno conhecimento, nem tentar compreender a capacidade do ser humano de virar as costas pra isso tudo – porque fechar os olhos está muito aquém desse desprezo. Afinal, a política (de um modo geral) já está deveras saciada com a fome, a ignorância, o alheamento dos cidadãos mesmo, né? – mas queria tentar – se é que possível – imaginar de onde surgira (além do desespero) a idéia dessas pessoas em se alimentar de lama...

Lembro de minha saudosa avó contando que, pequena, quando havia (!) alguma carne nas refeições, e ela deixava no canto do prato para comer por último, antes que pudesse se deliciar, sua mãe ou padrasto metia o garfo e lhe comia a carne guardada pro final. Segundo eles: “para aprender que se deve comer tudo junto; sem frescuras”.

Hoje, até receio dizer que sinto fome.

Não sei, não. Mudei de assunto e nem notei. Tudo parece demais para mim. E aquilo era “só” uma “paginazinha” de jornal... E será que um dia [o mundo] acaba?


[Adendo: Talvez, pareça repetitiva, visto que num dos ‘posts’ anteriores, também me referi a ela: a fome. No entanto, com a máscara da piedade já arrancada, uma lágrima escapou... e não queria apenas secá-la, mas confessá-la.]

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Incompreensão


Que peso é que tenho
Em minhas costas?
Que lágrimas são estas
Que enxugo?
Há quantas perguntas
Sem respostas?
O que fazer para se viver
Por este mundo?

Os gênios estão mortos!

Carrego todo o mundo nas mãos
E toda água nos olhos enxutos;
Não sei o que me pesa nas costas
Quiçá esta incompreensão de tudo...



O ano acaba aqui: Abril:

..., ... mp4 furtado; celular roubado (30/04); namoro de uma amiga rompido (30/04); avô de outra falecido (30/04); assalto à mão armada na vizinha de uma terceira (30/04); gripe suína se expandindo; notícia de hipertensão em minha mãe...
Olha, não tá dando, não. A gente fecha os olhos para não ver, mas a vida belisca/ bota o pé na frente/ nocauteia, já no quarto round. Não tá dando mesmo!
É preciso "apontar pra fé e remar"?! Vou acabar me jogando nesse mar...