domingo, 26 de março de 2017
terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
Excertos - [des]aforismos
I
do ínfimo ao infinito
eis a minha conjectura
: o mundo é sempre mais bonito
visto a certa altura
II
asa de imaginação que
bate à toa
desconhece o céu: não
voa
III
diz-se que a vida é matemática
assim, tal coisa prática
digo que é [meta]linguística
vida humana [inexata], tal coisa mística
IV
the black hole
is not black whole
either a hole
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
nuvens
hoje pintei meus sonhos
em mil desenhos
de nuvens
só
para você ver
e soprei ao céu azul
em direção à tua morada
mas ficaram todas
disformes... estioladas...
e
o dia segue, pois, enevoado
dentro e fora do peito
: tua janela permanecia fechada
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
interação
o silêncio é inspiração
a palavra é expiração
:
respirar é experiência linguística
poesia é concepção holística
domingo, 18 de setembro de 2016
Presente
Esse é o mais recente romance de Marcia Tiburi, uma composição esplendorosa de 600 páginas (não por quantidade, obviamente), na qual Literatura, Filosofia, História e Arte se mesclam em sincronia natural, tanto como panos de fundo quanto em aspectos estéticos da própria obra. Quanto à extensão dessa, divago se não seria ela a metáfora concreta de acontecimentos narrados por um gago? Materialização de suas tão custosas expressões (que são também sentimentos) - problemática do ser e do dizer.
A priori, muitas questões já insurgem no extático mergulho em sua trama: Quem são Agnes, Irene, Ignez e tantos outros? O quê e como lhes vamos atribuindo em nossa construção imaginária, por meio das impressões que o narrador-personagem nos lega? E, por sinal, quem é esse também? Que formas, que corpos - e corpo, aliás, é uma das maiores anamorfoses que há no livro (vide a capa) - vão ganhando, senão meras intangibilidades, mais físicas do que psicológicas?
Início, meio e fim: o primeiro - dizem - toda história deve ter. A meu ver, o processo regressivo (e digressivo) da narrativa faz jus a isso e à suspensão a que me referi; além de alimentar, no leitor, um desejo de que essa história, em contrapartida, nunca termine (eu mesma não o fiz e nem sei quando e se o farei). Quiçá a fuga (não a do fim, mas a que há na trama), como na canção de Paulinho da Viola - "voltar quase sempre é partir para um outro lugar" -, seja um vice-versa, um necessário retorno, um (re)encontro, quiçá...
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