quarta-feira, 1 de abril de 2015

[im]permanência

agora fica comigo
   apenas solidão
     [afora cheiros, fotografias, reticências]
       noite após noite
         me acostumo à escuridão
           silenciosa dos gestos guardados
              à medida que a saudade
                 já faz moradia
                   e não aceita companhia
                      em meu peito triste
                         pois que pouco não é
                           quando muito ainda existe


sexta-feira, 13 de março de 2015

meus [uni]versos [lit]erários





sou barroca quando fechos os olhos
ao mistério e vejo o mundo pelas mãos
no meu declínio epicurista-pagão
sou neoclássica quando me expando
e do meu corpo nascem paisagens
e sou árvores sou terra sou mar ilha
sou romântica quando meu coração e espírito
despertam o idealismo lírico e são capazes
de morrer para serem livres e, enfim, viver
sou realista quando, naturalmente, determinada
ante os fenômenos da vida, me interpreto
na ambiguidade a mais humana hipocrisia
sou parnasiana quando equilibro meus desatinos
fazendo parcos versos decassílabos
com minha racionalidade fria
sou simbolista quando, no mais intrínseco de mim,
escamoteio a realidade sã e me eviscero dos demônios
dormentes, decadentes, na degenerescência vã
sou modernista quando, enfim, desprendo-me
de quaisquer grades e sigo na univastidão
de minha idiossincrática retangularidade

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

zeus?

do caos à gaia
do tártaro escuro a urano
das ondas movidas
por tridentes de poseidon
a atlas
e seus braços másculos
titãs, de cronos
a cíclopes e hecatônquiros
de toda metafísica
da via láctea
a vida contida no invisível
dos fatos
pertence aos deuses
átomos

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

luto


nunca mais? 
o seu sorriso
a sua doçura
a sua amizade
a sua presença
a sua voz [sussurro]
ou para sempre?

a sua pequenice
d'uma alma enorme
agora dorme
mas não
dentro da gente...


domingo, 21 de dezembro de 2014

Supernova



A explosão de uma saudade
consome esse vazio
buraco negro
que a tudo torna uma só coisa…

E o destino está selado
: a estrela que se desfez
é o coração, que no meu peito, 
amanhã nasce outra vez.