segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Leve(dure)za


Há muitas pedras
No meio do caminho 
Da vida, que é dura 
– de tanto bater, se fura. 

Neste ofício de poeta, 
Fosse eu um rio, 
Mudaria o (per)curso, 
Fecundaria outro chão. 

Mas minha pena se esvai, 
Já não percorre 
(Ou escorre) versos: 
Com o vento, voa; vai...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

[ex]flor-ação


jogarei sementes 
quando o sol raiar; 
pra colher pétalas cadentes
no meu jardim - lu[n]ar.  

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Quanto ao futuro.*



agora vêm
oráculos
horóscopos
cartomancias
numerologias...
ninguém escapa!
o tsunami astrológico
vem, (e)leva e lava
(tudo a pratos limpos);
o futuro - cristalino,
frágil relicário místico -
(a)guardará
o novo fim do mundo
escrito em algum
universo sem estrelas
- (e)ternas mortes
cintilantes -
a nos espiar,
ao longe e ao léu...







*Um dos títulos possíveis para A hora da estrela, de C. Lispector.

Imagem:  cena final de Melancholia, filme de Lars Von Trier.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

heliofagia


murmuram voos de insetos
por sobre os pratos
da noite
com alguns restos de tarde
presos em azuis gengivas.

sob o olhar da rua,
a Lua lambe
esqueletos brancos
- de estrelas -
ao som de tétricos
miados ensaiados nos telhados.

e solares nacos
- cascas de laranja -
são sobremesa oculta
no oblíquo bojo
dos postes elétricos
desassombrados.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

inóspito

com a luz que abrasa o dia
em tudo eu vejo a poesia!
no breu da noite [mudo]
eu ouço a poesia em tudo.

se estes meus versos,
por mim, falassem
o que não cabe numa ideia
ah, quem me dera!...

mas não é a dor pungente
nem é o amor urgente
que se me derramam
na poesia dessa hora...

mas qualquer outra natureza
em que pairam incertezas.
e é lá que está a cor implícita
de mi’as ânsias infinitas!

são sombras inclassificáveis;
palavras insubordináveis
que me tomam o tom certo
por esse pálido deserto...