quarta-feira, 7 de novembro de 2012

[à] sombra

as gotas de orvalho,
que pingam a vida - fina e lenta -,
[sinto]
suam nos cantos das paredes quentes...
vejo meu reflexo à janela:
movo-me inquieta
neste quarto assimétrico;
nada mais se mexe.
mas sei que há,
ali,
à espera,
olhando-me,
lambendo os beiços
a fera da noite
[prestes a engolir-me... o sono].

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

mudo acústico



enquanto não vem a poesia
a gente se lembra um pouco
que há, no silêncio, a canção
escrita e tocada aos moucos.

[ou, quem sabe, loucos]

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

de céus diversos



dos desabrigos

nas calçadas, à lua,
brilham sonhos-pirilampos
como estrelas de rua.

dos voos

com invisíveis linhas,
teço, no imenso pano azul,
um bordado de andorinhas.


dos brilhos

murmúrios estelares
são matérias de silêncio
na boca da noite.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Há dias em que...


nem um rabisco [na palma].
nem um bom disco [acalma].
nem mesmo um risco [salva].
nem ser bem-quisto [ou mal].

somente um misto [n'alma]....

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Pausa [nessa minha incompetência de viver]

Percebe que eu tô de pouco verbo. Naquele período de nem querer existir - que é grave por demais. De me achar um nada. E, não, eu não preciso de ajuda ou companhia alheia para que passe. Porque passa. Só. [E eu também.] Mas volto. Por isso, eu sempre disse que és livre pra não me querer. Mas, se insistes, paga o preço.

Me ama.

Ou não...

Mais que amar. Perdoa. Voltarei [pra ti].