segunda-feira, 3 de setembro de 2012

de céus diversos



dos desabrigos

nas calçadas, à lua,
brilham sonhos-pirilampos
como estrelas de rua.

dos voos

com invisíveis linhas,
teço, no imenso pano azul,
um bordado de andorinhas.


dos brilhos

murmúrios estelares
são matérias de silêncio
na boca da noite.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Há dias em que...


nem um rabisco [na palma].
nem um bom disco [acalma].
nem mesmo um risco [salva].
nem ser bem-quisto [ou mal].

somente um misto [n'alma]....

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Pausa [nessa minha incompetência de viver]

Percebe que eu tô de pouco verbo. Naquele período de nem querer existir - que é grave por demais. De me achar um nada. E, não, eu não preciso de ajuda ou companhia alheia para que passe. Porque passa. Só. [E eu também.] Mas volto. Por isso, eu sempre disse que és livre pra não me querer. Mas, se insistes, paga o preço.

Me ama.

Ou não...

Mais que amar. Perdoa. Voltarei [pra ti].

quarta-feira, 25 de julho de 2012

vaga escavação ou paranoia

a vida é um buraco
que cavamos
numa eterna busca.

queremos muito;
temos tão pouco
e somos nada.

ninguém sabe ao certo
o que querer:
o tal desejo, porém,
é bem maior
que o de saber!

eu também sei que nada sei.
e, a cada dia,
cavo meu buraco
[nesta vida]
de agonia
tão profunda.
e deito-me toda
por nada ser...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

chhhhhhhiste


nenhum níquel
combustível baixo...
nível zero
na escala do poema.
hoje, na cidade,
sol não despe seu pijama:
chuva corta
a tumidez dessa segunda-feira;
tempo escorre,
a fundir vidros de janelas;
a parede fria
umedece as cores quentes
das cortinas;
pensamento espia,
atento aos sentidos...
e, nas esquinas,
sapatos cantarolam
em co[u]ro
pela poesia que se empoça
- e me fia.