
quanto sóis podem caber
nas mãos de um poeta?
quantos raios poderão nascer
de uma erguida caneta?
ah, que escura delimitação me cega!
mas se há noites derramadas
em luares, mais me faço certa
à extinta luz desta caverna.
a lua se me move em linhas retas;
o céu despenca em arcos paralelos
sobre mim, com seus cometas.
e as estrelas... ah! como dizê-las?
esses rútilos e efêmeros planetas
que me escapam entre os dedos...
pois há sóis de mais lá fora,
e, aqui dentro, os há de menos.
¹ do latim, quem escreve lê duas vezes. [d'o meio do avesso, p. 14]