“(...) Luz e sombra são instrumentos recorrentes no trabalho da artista, que os enfatiza como eixo de sua reflexão poética. Regina Silveira (Porto Alegre, 1939), que já realizou mais de sessenta exposições individuais no Brasil e no exterior, está em busca de novas formas de operar a luz como revestimento incorpóreo, capaz de transformar a percepção e a experiência de grandes espaços de forte presença arquitetônica (...), contribuindo para uma aproximação entre sociedade e bens culturais.”
Tomo o trecho acima para apresentar, de forma sintética, o que eu não poderia. Haja vista minha própria e homérica ignorância (mas que se enobrece por – tentar – fugir das “sombras” de si mesma _?) acerca do trabalho da referida artista (pintora, gravadora e professora _só?), cuja exposição fui visitar 2 vezes nesta semana.
Bem, sei eu _e todos aqui_ que não sou crítica _nem pretendo ser!_ portanto, deixo clara a intenção do pensamento (que já se vai iniciar, juro): o de que a exposição (em cartaz até 3 de janeiro, no CCBBrj) traz em si o que está, não só pr’além da luz, mas pr’além de cada um e cada coisa.
Regina Silveira lança à vista dos ‘transeuntes’ a sensação de que a Sombra _compacta; impenetrável_ é, pelo contrário, tangenciada por ela mesma e por outras sombras. (Ok, caí no limbo de minha própria ‘deslucidez’ diante do que vi!). Redizendo... A artista propõe um prolongamento das ‘coisas’ vistas; sem permitir, no entanto, que estas coisas se apresentem como elas mesmas (?). SAPeando: Isto é: a Sombra, que é “uma ausência parcial de claridade provocada por um corpo iluminado” (Alejandro Martín e José Roca – curadores), ganha ‘vida própria’; um novo corpo a partir do qual se estende, porque é apresentada, algumas vezes, a partir de um que não existe (ao menos, concretamente).
Regina nos conduz a uma apreensão de realidade que, na verdade, não se encontra nela mesma. A artista revela o que há “por trás das sombras” (o que seria o corpo) como aquilo que se nos apresenta de forma tão sutil e/ou subjetiva, que nem mesmo a claridade da luz nos poderia revelar.
Enfim, a exposição é um convite à “multidimensionalidade” da imagem (e de nós mesmos); numa proposta _a meu ver_ de reflexão sobre o mundo e mais aquilo que não supõe a nossa vã filosofia. E o post, aqui apresentado, é uma sugestão aos que quiserem/puderem ir averiguar e, por si sós, sentir o que melhor lhes convier.
