segunda-feira, 27 de junho de 2011

Para que serve a Arte [?]



A Arte é, muitas vezes, um espetáculo sobre o qual depositamos nosso olhar [já viciadamente “intelectualoide”], o qual pode vir torná-la mera mimese do real e da natureza, enquanto recriação destes.


Responder para que serve a Arte – como está proposto no texto de Alain de Bottom – é um exercício que se arrola há e em diversas épocas e que, até hoje, antepõe o ato de pensar ao de sentir.


Nietzsche, que buscou sensibilizar o conceito de Arte, mostra que, no entanto, uma experiência implica em outra. Isto é: pensar leva a sentir.


É através do questionamento sobre o sentido da Arte que a união de razão e emoção estende-se à sua compreensão.


Uma obra de arte suscita, portanto, o pensamento: sua retórica visual faz-se espelho, no qual nos podemos olhar e, de fato, ver – refletir.

*resposta de prova. nota máxima! =)

terça-feira, 21 de junho de 2011

a-risco


os poemas são silenciosos
riscos
– voos inscritos pelo céu escuro;
asas presas na armadilha d'uma aranha...

mãos que espantam pássaros
nunca hão de tecer teias:
o que escrevo são galopes!
os meus lábios, ferraduras
que penduro atrás da porta,
onde ninguém lê.

a lua
é uma sintaxe musical – serenata às janelas –
que tão poucos ouvem.

do seleiro da noite,
ouço os sons de cada letra minha
– um corcel de punhos!

rolam fenos assilábicos
nas bóreas do horizonte sombreado à neblina...
e a égua da manhã
relincha na esplanada,
arriscando as linhas
que eu cavalgo no dorso do dia.


"Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse casa dele, e é.
Trata-se de um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem [...]
tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo:
come às vezes na minha mão."

C.L.

domingo, 12 de junho de 2011

[m]eu [z]elo


meu coração

quer se afastar de ti

só pra te trazer de volta

- numa mala de saudade;


te proíbe

que me olhes

só pra te guiar

até a mim;


ele quer, por vezes,

te odiar

porque é tão contrário

a si...

ele escreve estes versos

e depois rabisca

para não leres:

sua cardiografia pueril

troca por autorretratos

pintadinhos de vermelho

- significantes deste amor

que não cabe no peito.


sexta-feira, 3 de junho de 2011

sobre-vir




a chuva que calha
no poema
não é água - precipitação
atmosférica
a desprender-se de nuvens:

todo dia cinza
tem suas gotas de tristeza...

poesia-chuva
é o que transborda pelas mãos
e escorre versos
a empoçar-se
em folhas secas.